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Decifrando as Estrelas
Published by Omyasuda on 12/3/2008 (1359 reads)
Saudação aos brigadeiros da turma 73/76, escrita pelo Ayres/Nachmanowicz (73/033), e lida no encontro de 35 anos em Barbacena/MG pelo Alexandre (73/313).

Decifrando as Estrelas

O Ex-Aluno retorna à sua velha Escola. É noite. Após passear pelo Cassino, pátio da bandeira, pátio das paineiras e jardim de Alá decide que quer gastar alguns minutos sozinho na frente do prédio do Comando e sentar-se, novamente, em frente à linha de trem como fazia há trinta e cinco anos atrás.
Ao longe, as luzes da cidade delineam algumas mudanças como que para lhe avisar que três décadas e meio já se passaram.
Ao contemplar novamente a cidade, inevitavelmente, muitos fragmentos de antigos pensamentos, sonhos e angústias voltam à sua mente.
“- Eu quero ir para a AFA e ser Aviador. Será que eu passo no exame do CEMAL ?? E o vôo ?? Será que eu conseguirei terminar o curso ?? Conseguirei seguir até o final da carreira ?? Quem sabe até eu possa ser um Brigadeiro. Porque não ?? Quais as minhas outras alternativas ??? A Intendência é uma opção. A Marinha talvez abra vagas para a os Alunos da EPCAr. Se eu não quiser ser militar ainda resta os diversos vestibulares. Talvez Engenharia. Acho que eu até me sairia bem como Engenheiro......”
Todos esses pensamentos lhe trazem, por um breve instante, aquela sensação de angústia típica dos Alunos da EPCAr e dos Cadetes. Logo em seguida, a tranquilidade e o silêncio das noites de Barbacena lhe devolve a sensação agradável do aconchego de sua antiga Escola e casa. Não há mais com que se preocupar nesse sentido.
O passado está resolvido.
Mas no céu, o cruzeiro do sul e as demais estrelas, em meio à brisa fria da noite, ainda o desafiam com perguntas para as quais não há respostas.
- Qual o meu destino ? - Até onde chegarei ? - Conseguirei alcançar os meus sonhos ?
Ao olhar para os trilhos do trem, o Ex-Aluno revê a trajetória de sua vida com seus acertos e erros, conquistas e frustrações, glórias marcantes e pesadas perdas. E percebe que os trilhos da sua vida correram por dentro da EPCAr. A Turma, as amizades duradouras, os inestimáveis ensinamentos, os Professores, os Comandantes, os valores, os ideais deixaram em si uma marca permanente; e a certeza de que história da FAB e a sua própria estão inexoravelmente entrelaçadas. E a sensação é a de que é um privilegiado por ter passado por toda essa riquíssima experiência.
E a mente, retornando velozmente ao dia 07 de março de 2008 constata que, embora a maioria das escolhas já tenham sido feitas e que as principais cartadas já tenham sido dadas, o jogo ainda continua e está longe de terminar.
E percebe que a vida impele a todos a vencer o jogo com as cartas que restaram nas mãos.
O presente está resolvido.
Ao olhar novamente para as estrelas, como querendo decifrar o futuro, percebe que não há mais muito o que temer. E sente uma certa sensação de alívio ao intuir que as ferramentas de trabalho já são bem conhecidas e que o momento é de amadurecimento, consolidação de experiência e de buscas de novas oportunidades.
E como que completando o ciclo de ida-e-volta nesses trilhos que passam em frente à EPCAr, a Turma de 73/76 celebra e homenageia a trajetória dos seus Coronéis Aviadores, Intendentes e Engenheiros que estão encerrando suas carreiras vitoriosas na Força Aérea. As mesmas chegaram, finalmente, ao seu destino final programado. Muito lhes é devido.
Mas como a história é um jogo sem fim, a história da Força Aérea Brasileira ainda continuará sendo escrita pela nossa Turma, através de seus novos Brigadeiros.
E assim, revendo o seu passado de sonhos, lutas, perdas, conquistas e glórias, é que a Turma de 73/76 parabeniza e presta as homenagens aos seus 12 Brigadeiros do Ar e 1 Brigadeiro-Intendente já escolhido.
- Brigadeiros da Turma de 73/76, a vossa Turma vos saúda.
Vós sois os representantes e depositários de nossos mais caros sonhos de juventude.
A partir de agora somente vós tereis o poder de sustentar o vôo do sabre alado, e ninguém mais.
E as estrelas que hoje alcançastes trazem, também, consigo a incerteza dos novos cenários, personagens e contextos sempre desafiadores. E não seriam as estrelas que vos livrariam das aflições e demandas de um mundo conturbado e violento. Muito vos será exigido.
Mas, em contrapartida, tendes o bastão de comando em vossas mãos. Usai-o com coragem e com a firmeza dos princípios, valores e ideais que defendemos.
Levai convosco a força que nos impulsionou até aqui. E lembrai que tendes à vossa retaguarda toda a Turma que reza, torce, apoia e muito espera de vós.
Não vos deveis preocupar com o amanhã. O vosso tempo é HOJE.
Que Deus vos ilumineis em vossas ações e decisões e vos protejeis do mal.
E, finalmente
Sede felizes pois as estrelas que olhávamos em 1973 em busca de nossos sonhos são as mesmas que hoje carregais em vossos ombros sobre a farda dos lindos passarinhos azuis da cor do manto de Nossa Senhora.

Ricardo Ayres Nachmanowicz
Aluno 73-033

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